{"id":172,"date":"2008-11-23T14:05:40","date_gmt":"2008-11-23T17:05:40","guid":{"rendered":"https:\/\/devkico.itexto.com.br\/?p=172"},"modified":"2008-11-23T19:00:49","modified_gmt":"2008-11-23T22:00:49","slug":"uma-linguagem-de-programacao-pode-te-tornar-estupido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/devkico.itexto.com.br\/?p=172","title":{"rendered":"Uma linguagem de programa\u00e7\u00e3o pode te tornar estupido?"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_173\" aria-describedby=\"caption-attachment-173\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/devkico.itexto.com.br\/wp-content\/uploads\/2008\/11\/wittgenstein_swansea_1947.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-173 \" style=\"margin-top: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 10px; margin-right: 10px;\" title=\"wittgenstein_swansea_1947\" src=\"https:\/\/devkico.itexto.com.br\/wp-content\/uploads\/2008\/11\/wittgenstein_swansea_1947-300x239.jpg\" alt=\"\" width=\"210\" height=\"167\" srcset=\"https:\/\/devkico.itexto.com.br\/wp-content\/uploads\/2008\/11\/wittgenstein_swansea_1947-300x239.jpg 300w, https:\/\/devkico.itexto.com.br\/wp-content\/uploads\/2008\/11\/wittgenstein_swansea_1947.jpg 701w\" sizes=\"(max-width: 210px) 100vw, 210px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-173\" class=\"wp-caption-text\">Ludwig Wittgenstein<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Ambientes de desenvolvimento r\u00e1pido suprimem os sintomas de impot\u00eancia ao criar a ilus\u00e3o de poder.<\/em><br \/>\nCorol\u00e1rio <a title=\";)\" href=\"https:\/\/devkico.itexto.com.br\/?p=172\" target=\"_blank\">Weissmann<\/a> sobre desenvolvimento\u00a0<\/p>\n<p>Aquela infind\u00e1vel discuss\u00e3o &#8220;minha linguagem de programa\u00e7\u00e3o \u00e9 melhor que a sua&#8221;, que nada mais \u00e9 do que um reflexo de nossa inf\u00e2ncia &#8220;meu brinquedo \u00e9 melhor que o seu&#8221;, devo confessar, sempre chamou minha aten\u00e7\u00e3o. Fico horas e horas me divertindo com estes t\u00f3picos. \u00c9 quando me pergunto: uma linguagem de programa\u00e7\u00e3o pode emburrecer um indiv\u00edduo? Cheguei a conclus\u00e3o de que sim. E muito.<\/p>\n<p>Quando fiz o curso de Filosofia, fiquei muito impressionado com o conceito de <a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Linguistic_determinism\">determinismo linguistico<\/a>, ou seja, o fato de que a linguagem que usamos modela nosso pensamento. Alguns fil\u00f3sofos v\u00e3o al\u00e9m. <a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Ludwig_Wittgenstein\" target=\"_blank\">Wittgenstein<\/a>, por exemplo, chega a afirmar (e eu concordo plenamente) que os limites do mundo (pode ser entendida aqui a percep\u00e7\u00e3o do mesmo) de um indiv\u00edduo correspondem aos limites de sua linguagem. Realmente, trata-se de um ponto v\u00e1lido visto que o mundo s\u00f3 recebe o nosso feedback a partir da nossa linguagem e vice-versa. Transmitimos ao mundo aquilo que captamos a seu respeito e em seguida processamos a partir de nossa linguagem.<\/p>\n<p>E de onde v\u00eam a nossa linguagem? Bem, esta \u00e9 fruto do ambiente no qual estamos (ou seria algo intr\u00ednseco?). O ambiente influencia nossa linguagem. H\u00e1 alguns exemplos hoje considerados banais, como o esquim\u00f3 que consegue perceber n varia\u00e7\u00f5es distintas do branco, que s\u00e3o refletidas em sua pr\u00f3pria linguagem (h\u00e1 um nome para cada varia\u00e7\u00e3o). Outro bom exemplo \u00e9 o brasileiro: n\u00f3s conhecemos diversos tipos de banana. Curiosamente, para um estrangeiro, todas as bananas s\u00e3o iguais. E nosso vocabul\u00e1rio exp\u00f5e esta riqueza: banana nanica, caturra, etc.<\/p>\n<figure id=\"attachment_174\" aria-describedby=\"caption-attachment-174\" style=\"width: 180px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/devkico.itexto.com.br\/wp-content\/uploads\/2008\/11\/225px-edsger_wybe_dijkstra.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-174\" style=\"margin-left: 10px; margin-right: 10px;\" title=\"225px-edsger_wybe_dijkstra\" src=\"https:\/\/devkico.itexto.com.br\/wp-content\/uploads\/2008\/11\/225px-edsger_wybe_dijkstra.jpg\" alt=\"\" width=\"180\" height=\"240\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-174\" class=\"wp-caption-text\">Edsger W. Dijkstra<\/figcaption><\/figure>\n<p>O que me faz pensar na seguinte cita\u00e7\u00e3o de Dijkstra:\u00a0&#8220;<a href=\"http:\/\/www.cs.utexas.edu\/users\/EWD\/transcriptions\/EWD08xx\/EWD898.html\" target=\"_blank\">the college pretending that learning BASIC suffices or at least helps, whereas the teaching of BASIC should be rated as a criminal offence: it mutilates the mind beyond recovery.<\/a>&#8220;. No caso, esta frase foi dita na palestra &#8220;The threats to Computer Science&#8221;, que tratava do modo como a ci\u00eancia da computa\u00e7\u00e3o \u00e9 ensinada nas faculdades. Ali\u00e1s, atualmente h\u00e1 inclusive gente que usa um argumento bastante similar no que diz respeito ao <a href=\"http:\/\/lambda-the-ultimate.org\/node\/2597\">Java<\/a>.<\/p>\n<p>A pergunta que se faz portanto \u00e9: pode uma linguagem de programa\u00e7\u00e3o &#8220;mutilar&#8221; a mente de um desenvolvedor? Na minha opini\u00e3o, sim. Em minha experi\u00eancia, j\u00e1 vi diversos casos de desenvolvedores que criam coisas incr\u00edvelmente interessantes em Visual Basic mas n\u00e3o conseguem de modo algum sair desta linguagem. At\u00e9 tentam aprender outras, mas sempre acabam voltando ao Visual Basic, o que justifica-se pelo fato de que \u00a0trabalhar com algo com o qual j\u00e1 se est\u00e1 confort\u00e1vel \u00e9 mais seguro.<\/p>\n<p>Algo muito similar observo com Java. Visto a sua aplica\u00e7\u00e3o com sucesso em diversos ambientes distintos (m\u00f3vel, desktop, web, etc.), muitas vezes o desenvolvedor fixa-se no Java e dele n\u00e3o sair\u00e1 jamais. Assim como no caso do Visual Basic, trata-se novamente da mesma justificativa: &#8220;se j\u00e1 sei Java t\u00e3o bem, por que me arriscar com outras linguagens ou ambientes?&#8221;. No caso do Visual Basic, a defici\u00eancia fica mais n\u00edtida pelo fato de ser uma linguagem ultrapassada. Neste sentido, quem programa em VB possui uma vantagem em rela\u00e7\u00e3o a quem programa em Java. H\u00e1 menos arrog\u00e2ncia (&#8220;por que aprender outra coisa se Java j\u00e1 \u00e9 uma linguagem de &#8216;ponta&#8217;?&#8221;), e portanto a necessidade de se aprender algo novo se torna mais n\u00edtido. Mas em ambos os casos, ambas as linhas de racioc\u00ednio levam em considera\u00e7\u00e3o apenas o medo de se tornar obsoletos tecnologicamente (mais especificamente, para o mercado), ignorando um problema que \u00e9 ordens de magnitude mais s\u00e9rio: o determinismo linguistico.<\/p>\n<p>O que nos leva a pensar no papel do desenvolvedor: espelhar\/reproduzir\/criar no ambiente computacional uma solu\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria no ambiente real. Ora, dado que, como j\u00e1 mencionei anteriormente, nosso mundo (percep\u00e7\u00e3o) \u00e9 resultado de nossa linguagem, e as linguagens de programa\u00e7\u00e3o s\u00e3o a nossa percep\u00e7\u00e3o do ambiente digital em que atuamos, o fato de conhecermos apenas uma linguagem de programa\u00e7\u00e3o contribui para que nosso racioc\u00ednio criativo torne-se tamb\u00e9m limitado. Pior ainda se a \u00fanica linguagem que conhecermos nos apresentar uma descri\u00e7\u00e3o limitada deste ambiente.<\/p>\n<p>Focar-se em uma \u00fanica linguagem consiste em ignorar o porqu\u00ea de sua cria\u00e7\u00e3o: \u00a0resolver problemas presentes na \u00e9poca de sua introdu\u00e7\u00e3o. \u00a0S\u00e3o linguagens de uso geral? Sim, com certeza. Neste caso, n\u00e3o deveriam nos dar uma vis\u00e3o ampla? Com certeza, por\u00e9m foi criada visando tamb\u00e9m superar algumas das limita\u00e7\u00f5es presentes em sua \u00e9poca de desenvolvimento. Se n\u00e3o fosse assim, existiria hoje prov\u00e1velmente uma (no m\u00e1ximo duas) linguagem de programa\u00e7\u00e3o. Logo, o argumento de que &#8220;aprender outra linguagem \u00e9 trivial, pois s\u00f3 muda a sintaxe&#8221; mostra-se como falacioso.<\/p>\n<p>Para ilustrar o racioc\u00ednio, irei expor de modo <a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Fenomenologia\" target=\"_blank\">fenomenologico<\/a> o desenvolvimento de um profissional fict\u00edcio. Este profissional come\u00e7ar\u00e1 sua carreira com o Visual Basic 6, o que ilustra muito bem o comportamento que j\u00e1 observei com alguns profissionais. Escolhi o Visual Basic 6 s\u00f3 por se tratar de um ambiente de desenvolvimento r\u00e1pido (outros poderiam entrar em seu lugar portanto).<\/p>\n<div style=\"background-color: #dedede\">\n<figure id=\"attachment_179\" aria-describedby=\"caption-attachment-179\" style=\"width: 192px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/devkico.itexto.com.br\/wp-content\/uploads\/2008\/11\/hegel.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-179 \" style=\"margin-left: 10px; margin-right: 10px;\" title=\"hegel\" src=\"https:\/\/devkico.itexto.com.br\/wp-content\/uploads\/2008\/11\/hegel-240x300.jpg\" alt=\"Hegel - O germe da fenomenologia\" width=\"192\" height=\"240\" srcset=\"https:\/\/devkico.itexto.com.br\/wp-content\/uploads\/2008\/11\/hegel-240x300.jpg 240w, https:\/\/devkico.itexto.com.br\/wp-content\/uploads\/2008\/11\/hegel.jpg 384w\" sizes=\"(max-width: 192px) 100vw, 192px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-179\" class=\"wp-caption-text\">Hegel - O germe da fenomenologia moderna<\/figcaption><\/figure>\n<p>Num\u00a0<strong>primeiro est\u00e1gio<\/strong>, todo software \u00e9 composto por uma s\u00e9rie de formul\u00e1rios a partir dos quais o usu\u00e1rio envia seus dados e ent\u00e3o, atrav\u00e9s de uma s\u00e9rie de eventos, faz o que deve fazer.\u00a0N\u00e3o h\u00e1 muita preocupa\u00e7\u00e3o com m\u00f3dulos ou algo similar. Apenas com os eventos. O trabalho consiste basicamente em agrupar componentes em uma janela, incluir os eventos necess\u00e1rios, compilar a aplica\u00e7\u00e3o, entrega-la ao cliente e, conforme o tempo for passando, ir dando manuten\u00e7\u00e3o no produto final.Com o passar do tempo, a complexidade do software aumenta. Isto fica n\u00edtido a este profissional pelo n\u00famero de formul\u00e1rios criados. S\u00e3o diversos, e em diversos momentos, ocorre a necessidade de se copiar c\u00f3digo de um formul\u00e1rio para outro. Quando o uso do famigerado Control-C\/Control-V come\u00e7a a dar muito trabalho a este desenvolvedor, ele come\u00e7a a perceber que programar realmente \u00e9 algo &#8220;dif\u00edcil&#8221;.\u00a0<\/p>\n<p>\u00c9 quando o usu\u00e1rio passa para o <strong>segundo est\u00e1gio<\/strong>. Surgem os famosos m\u00f3dulos. Neles \u00e9 poss\u00edvel incluir todo aquele c\u00f3digo que at\u00e9 ent\u00e3o era copiado de um formul\u00e1rio para outro. Fant\u00e1stico! Agora basta referenciar estes m\u00e9todos nos formul\u00e1rios e pronto. O trabalho diminuiu.<\/p>\n<p>O tempo passa e a aplica\u00e7\u00e3o continua crescendo. Desta vez, o cliente quer que o sistema se comunique com clientes externos. J\u00e1 tenho m\u00f3dulos, o que facilita, no entanto, um novo paradigma surge. A web. Como a web funciona? O que devo fazer?\u00a0<\/p>\n<p>Neste exato momento, o profissional trava. Gastou tanto tempo pensando no desktop que ao se deparar com a web, pelo fato de sua linguagem favorita n\u00e3o lhe oferecer suporte f\u00e1cil a este novo paradigma, simplesmente n\u00e3o sabe nem por onde come\u00e7ar. &#8220;Engenharia de software? Coisa pra gente besta. H\u00e1 at\u00e9 alguns recursos no Visual Studio. Um tal de ASP&#8230; Lembra muito o VB. Ser\u00e1 que eu uso ele? HTTP? Que \u00e9 isto? Eu poderia tamb\u00e9m procurar algum componente que resolva meu problema&#8230;&#8221;<\/p>\n<p>Chega-se a seguinte solu\u00e7\u00e3o: &#8220;vou disponibilizar o banco de dados para eles. Assim, eles enviam seus dados aqui pra dentro de acordo com as regras que eu venha a definir e pronto. Problema solucionado. Sou um g\u00eanio!&#8221;<\/p>\n<p>L\u00f3gicamente, a solu\u00e7\u00e3o ir\u00e1 se mostrar um fracasso. \u00c9 quando este profissional \u00e9 expulso do segundo est\u00e1gio de evolu\u00e7\u00e3o e aprende outra linguagem de programa\u00e7\u00e3o. No caso, Java.<\/p>\n<p><strong>Terceiro est\u00e1gio<\/strong>: aprendendo Java. &#8220;Aprender Java \u00e9 f\u00e1cil, porque todas as linguagens s\u00e3o iguais. S\u00f3 muda a sintaxe&#8221; pensa nosso pobre profissional. Ao iniciar seu trabalho com Java, a primeira coisa que procura saber \u00e9 como s\u00e3o criados os formul\u00e1rios, e come\u00e7a a achar a plataforma um lixo enquanto n\u00e3o encontrar um editor visual que lhe permita trabalhar assim como fazia no caso do Visual Basic. Quando finalmente o encontra, a\u00ed sim come\u00e7a a trabalhar. Cria ent\u00e3o algumas classes, lotadas de m\u00e9todos est\u00e1ticos. Estas classes &#8220;utilit\u00e1rias&#8221; corresponder\u00e3o para este usu\u00e1rio aos m\u00f3dulos com os quais estava habituado ao trabalhar com Visual Basic.<\/p>\n<p>Algumas aplica\u00e7\u00f5es desktop s\u00e3o criadas, j\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel escrever no banco de dados, e tudo anda bem, at\u00e9 que o mesmo profissional percebe a necessidade de criar uma aplica\u00e7\u00e3o web. E \u00e9 neste ponto que d\u00e1 de cara com a parede de novo. Como n\u00e3o aprendeu orienta\u00e7\u00e3o a objetos direito (no VB n\u00e3o havia isto. Haviam classes e tal, mas nunca entendeu ao certo para que serviam), n\u00e3o consegue entender como um servlet funciona. Consequentemente, n\u00e3o consegue aprender a trabalhar com outros frameworks. Diz que o Java \u00e9 um lixo, que o bom mesmo era o VB, aonde conseguia fazer tudo de forma f\u00e1cil, sem estas &#8220;frescuras&#8221;.<\/p><\/div>\n<p>Repare na constante: como aprendeu a programar usando apenas um ambiente de desenvolvimento, sempre que ocorrer uma mudan\u00e7a, ir\u00e1 tentar trabalhar assim como fazia no ambiente inicial. Se o mesmo profissional, ao iniciar o seu trabalho, tivesse come\u00e7ado com duas ou mais linguagens, vamos supor: Visual Basic e C, ou qualquer outra, o mesmo n\u00e3o teria ocorrido.<\/p>\n<p>Ao se acostumar com o ambiente visual, o programador passa a ignorar que por tr\u00e1s dos seus lindos formul\u00e1rios, h\u00e1 uma estrutura complexa que \u00e9 preciso conhecer para que se possa progredir. Ambientes de desenvolvimento r\u00e1pido como Visual Basic ou Delphi banalisam a nossa tarefa.<\/p>\n<p>Curiosamente, se o profissional fict\u00edcio acima tivesse come\u00e7ado sua carreira aprendendo apenas C, possuiria uma vis\u00e3o mais abrangente? Com certeza. Isto porque linguagens como o Visual Basic ou qualquer ambiente visual apenas <strong>suprimem os sintomas de impot\u00eancia incluindo a ilus\u00e3o de poder<\/strong>. Nosso programador fict\u00edcio ao criar seus formul\u00e1rios se sentia incr\u00edvelmente podroso. Afinal de contas, estava criando algo realmente \u00fatil com apenas alguns cliques do mouse. No entanto, esta ilus\u00e3o desaparece a partir do momento em que precisa interagir com algo mais complexo. No caso de quem come\u00e7ou usando C\/C++ ou outra linguagem que n\u00e3o ofere\u00e7a este tipo de ambiente, as coisas s\u00e3o mais dif\u00edceis no come\u00e7o.<\/p>\n<p>Este outro desenvolvedor possuir\u00e1 a vis\u00e3o de baixo pra cima, ao contr\u00e1rio do primeiro. Consequentemente, ao evoluir, ficar\u00e1 mais simples para este compreender as camadas posteriores. Afinal de contas, s\u00e3o desenvolvidas com base naquela da qual est\u00e1 partindo, e n\u00e3o o contr\u00e1rio. Este outro desenvolvedor v\u00ea a sua percep\u00e7\u00e3o do ambiente digital evoluir conforme vai conhecendo estes novos frameworks ou bibliotecas.<\/p>\n<p>Qual seria a solu\u00e7\u00e3o portanto? Come\u00e7ar pelo assembler? \u00a0Claro que n\u00e3o, mas pelo menos fugir dos ambientes de desenvolvimento r\u00e1pido o m\u00e1ximo poss\u00edvel e, se poss\u00edvel, sempre conhecer pelo menos duas linguagens de programa\u00e7\u00e3o distintas (melhor ainda: ao menos dois paradigmas). Isto quer dizer tamb\u00e9m que todos os ambientes de desenvolvimento r\u00e1pido s\u00e3o um veneno terr\u00edvel? N\u00e3o! S\u00f3 que devemos utiliz\u00e1-los apenas ap\u00f3s possuir uma base te\u00f3rica\/pr\u00e1tica s\u00f3lida sobre os fundamentos da computa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>(n\u00e3o vou chover no molhado e dizer &#8220;quanto mais linguagens aprendermos, melhor&#8221;, pois \u00e9 \u00f3bvio demais)<\/p>\n<p>No final das contas, n\u00e3o \u00e9 a popularidade de uma linguagem que torna um profissional competente (COBOL t\u00e1 a\u00ed pra provar isto), mas o modo como lida com o determinismo linguistico.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>PS: outro bom exemplo de determinismo linguistico. Windows!<br \/>\nAqueles que s\u00f3 usam Windows, acham comum os erros que o sistema apresentam, e jamais reclamam. No entanto, no dia em que passam a usar outro sistema, como o Linux ou Mac OS, nunca mais retornam ao mesmo. Isto porque sua linguagem cresceu (ele conhece mais de um sistema operacional) e, consequentemente, possui uma vis\u00e3o mais ampla do mundo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ambientes de desenvolvimento r\u00e1pido suprimem os sintomas de impot\u00eancia ao criar a ilus\u00e3o de poder. Corol\u00e1rio Weissmann sobre desenvolvimento\u00a0 Aquela infind\u00e1vel discuss\u00e3o &#8220;minha linguagem de programa\u00e7\u00e3o \u00e9 melhor que a sua&#8221;, que nada mais \u00e9 do que um reflexo de nossa inf\u00e2ncia &#8220;meu brinquedo \u00e9 melhor que o seu&#8221;, devo confessar, sempre chamou minha aten\u00e7\u00e3o. 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