Exprimentando Vue.js – aplicando no /dev/All

Recentemente comecei a buscar frameworks JavaScript para serem aplicados em nossos projetos na itexto. Publiquei algum tempo atrás minha experiência de aprendizado envolvendo o Angular.js: chegou a hora de falar sobre o Vue.js.

Como fui parar no Angular.js

 

angular-js_600x400

Aprender Angular foi uma experiência muito enriquecedora para mim pois me pos em contato mais profundo com diversas ferramentas usadas no ambiente JavaScript, tais como o Gulp e o NPM.

O que mais gosto no Angular é a ideia de templates renderizados do lado cliente. Apesar de na esmagadora maioria dos nossos projetos boa parte da renderização ser realizada do lado servidor (diversas razões para isto, o que, por si só, já daria um post), em alguns casos a renderização do lado cliente nos parece a solução ideal.

Um dos nossos projetos em que os templates do Angular cairam como uma luva foi o /dev/All que, até a versão 1.8 usava este framework do lado cliente.  Não conhece o site? Abaixo você pode ver um print do mesmo:

devall_vue

Com o passar do tempo a arquitetura do /dev/All foi sofrendo algumas modificações, dentre elas a criação de uma API na qual estamos trabalhando aos poucos. Entre as chamadas desta API está a nossa busca, que é usada atualmente na interface do site com o usuário final.

A primeira versão do /dev/All era 100% renderizada do lado servidor. Com isto, sempre que o usuário paginava os posts ou realizava uma busca, todo o conteúdo da página era carregado novamente (ignorando os cacheamentos de JavaScript e CSS).

Este problema foi a razão pela qual na versão 1.8 do /dev/All passamos a usar o Angular na confecção da nossa interface gráfica. O resultado foi muito bom: os usuários agora baixavam uma única vez o código da página e em todas as chamadas subsequentes o Angular fazia o trabalho de atualização da interface.

Como encontrei o Vue.js

vuejs

Tivemos esta experiência bem sucedida com o Angular mas fiquei com a impressão de que ele era uma solução muito complicada para as nossas necessidades. A curva de aprendizado do Angular é muito íngreme: são muitos conceitos para que você comece a se tornar produtivo: controladores, módulos, injeção de dependências, inversão de controle, diretrizes. Minha única preocupação era a view: eu só queria um template que fosse renderizado do lado cliente e que tirasse proveito da nossa API.

Eu também queria algo com o qual pudesse reaproveitar conhecimentos que já dominava, como o jQuery: misturar Angular e jQuery é complicado para dizer o mínimo (sei que é possível, mas mesmo assim é mais complexo que o necessário).

Nisto passei por algumas soluções interessantes: Mustache, Rivets, Tangular (apenas 2Kb!) e mais algumas alternativas, dentre as quais estava o Vue.js, cujo primeiro contato foi feito totalmente por acaso através de um vídeo do Vedovelli.

Resolvi experimentar o Vue.js: o primeiro passo foi ler o seu guia para desenvolvedoresA leitura do guia me fez esquecer o Angular. Achei a documentação do Vue.js uma das melhores que já li: rápida, direta e curta. Terminada sua leitura você já consegue criar coisas interessantes com o framework.

(o guia do Vue.js devia ser usado como exemplo de documentação bem feita: virei fã)

A impressão que tive do Vue.js foi a de se tratar de um “Angular” fácil de aprender. Em aproximadamente três horas de estudo você já consegue criar aplicações com o Vue.js: no caso do Angular levou pelo menos uma semana para começar.  Vi esta experiência de aprendizado se repetir com Lucas, nosso estagiário na itexto.

A versão 1.9 do /dev/All, publicada no dia 19/6/2016 substituiu o Angular pelo Vue.js (usamos a versão 1.0). Quantas linhas de código JavaScript precisamos escrever para criar toda a interface do site? 30 (!), incluindo o boiler plate padrão do jQuery ($(document).ready).

O jQuery faz as chamadas ao servidor e o Vue.js renderiza o resultado para nós. É simples assim. :)

Outras coisas que gostei no Vue.js

Além da excelente documentação e facilidade de ser usado com outras bibliotecas (jQuery), houve outras razões pelas quais este framework me ganhou.

API fácil

A API do Vue.js é muito simples: essencialmente você só precisa conhecer o construtor Vue. E não só o guia é fácil de ler: a documentação da API também é excelente!

Levou um tempo até que eu me habituasse com o modo como a injeção de dependências é realizada no Angular (especialmente os problemas que podem surgir durante a minificação e “uglyficação” do código). No caso do Vue, como é focado apenas na view e não há controladores, tudo fica muito mais fácil.

Tem o que gostei no Angular

A sintaxe dos templates do Vue é muito parecida com a do Angular. Tanto é que não precisei reescrevê-los ao migrar para o Vue.js: a grosso modo bastou trocar as diretrizes “ng-*” por “v-*”.  A mesma sintaxe “mustache” se mantém.

Também há diretrizes, como o Angular, assim como filtros. A diferença está na facilidade de aprendizado.

Outra similaridade importante: também implementa o data binding bidirecional. Este recurso é muito interessante, especialmente quando se quer construir interfaces de cadastro mais complexas como, por exemplo, formulários do tipo mestre-detalhe ou mesmo simulação de planilhas (para estes dois casos já estamos projetando soluções baseadas no Vue.js na itexto).

Por falar em data binding, o modo como lida com formulários é também essencialmente o mesmo que temos no Angular.

Criação fácil de componentes

Assim como o Angular, o Vue.js também te permite criar componentes. No caso, o Vue é muito inspirado na spec Web Components do W3C. Note que é inspirado e não uma implementação desta spec.

A vantagem é que você pode escrever sua biblioteca de componentes reaproveitáveis com o Vue e, caso deseje abandoná-lo no futuro, o trabalho de reescrita (em teoria) deve ser bem menor.

Concluindo

Para situações nas quais só me interessa a renderização do lado cliente e a aplicação não é muito complexa (como o /dev/All), creio que Vue.js seja uma solução mais interessante que o Angular.

Se você ainda não o conhece, sugiro que leia seu guia e brinque um pouco com ele: é uma experiência muito interessante.  Na excelente documentação oficial há uma seção interessante na qual o comparam com outros frameworks, recomendo sua leitura, apesar de naturalmente se tratar de um texto tendencioso.

Creio que, apesar de ter preferindo o Vue, estudar Angular é essencial: tenho certeza de que boa parte da facilidade que tivemos em aprendê-lo (Vue) se deve aos conceitos que precisamos aprender em nosso estudo do Angular.

Se você gosta de vídeos, o Fabio Vedovelli tem uma série a respeito que vale muito à pena assistir (como tudo o que ele faz).

5 comentários em “Exprimentando Vue.js – aplicando no /dev/All”

  1. Cristofer Sousa

    Bacana a explanação que fez sobre o VUE, havia visto as aulas do Vedorelli, havia curtido a proposta do framework, ainda estou tendencioso para o Ember mas acho que dependendo do tipo de aplicação o VUE é uma excelente porta de entrada.

    Vamos ter um guia do Vue pela iTexto em breve? rs

    Abraços

    1. Kico (Henrique Lobo Weissmann)

      Oi Cristofer, obrigado!

      Eu diria que tem 100% de chance de sair um guia. :)

      1. Cristofer Sousa

        Bacana, conta comigo, terei o prazer de ajudar nesse guia da parte de FE.

        [ ],s

  2. Yure KEsley

    Realmente o angular é muito poderoso, só que vc precisa aprender a pensar como o angular pensa, é tipo como reaprender a programar sabe. Saber javascript não ajuda em muita coisa pq o angular é muito mais que a linguagem a ser usada, é um conceito, uma abordagem.
    Gostaria muito de poder usar os recursos do angular de uma forma mais simples e intuitiva.

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Rolar para cima