Minhas boas leituras de 2019 (e as bem ruins também)!

A quantidade de coisas que li em 2019 aumentou exponencialmente se comparado aos anos anteriores. E isto trouxe consequências muito interessantes, sobre as quais vou falar no final deste post, sendo assim, vamos lá!

(caramba, agora que me dei conta de que desde 2011 publico isto aqui!)

Kindle Unlimited e Packt

Este ano resolvi variar as coisas que leio, o que me colocou sob o risco de ler muita porcaria. Notei que minha leitura estava ficando a cada dia mais enviesada e limitada sempre a um número muito limitado de assuntos.

Sendo assim assinei dois serviços que menciono aqui: Kindle Unlimited pra assuntos não técnicos e o Packt, que me propiciaram acesso a materiais que não teria acesso se continuasse adotando minha mesma tática de consumo.

Kindle Unlimited

Primeiro assinei o Kindle Unlimited da Amazon. Como este ano fiz uma quantidade significativa de viagens esta foi uma ótima aquisição por que me possibilitou entrar em contato com diversos livros e autores que em outras circunstâncias eu JAMAIS investiria nosso dinheiro. E como estava em trânsito com o celular em mãos (no final do ano me dei um Kindle), por que não ler estas coisas no caminho?

(confesso que penso o mico que seria se um acidente ocorresse e minha última leitura fosse um livro que encontrei no programa)

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Kindle Unlimited te oferece uma infinidade de livros muito ruins a um preço muito acessível, recomendo!

O Kindle Unlimited é um programa da Amazon que custa em torno de R$ 19,00 por mês e te dá acesso a uma infinidade de livros. Se você quer gastar muito pouco e ter acesso a uma pletora de livros horríveis, sem sombra de dúvidas eu o recomendo.

Mas se você quer ter acesso também a livros que não compraria de modo algum, ou mesmo que teria vergonha de olhar em uma livraria, também o recomendo demais. E sabem o que foi massa? Li muita coisa boa nesta experiência.

(Li no mínimo uns 80 livros no Kindle Unlimited: “Pelo menos 80??? Sério???? Que papo furado!!!” – Sério: muitos dos livros são ridiculamente pequenos. Essencialmente contos publicados como ebooks. “Todos inteiros???” – Claro que não: tem muita coisa intragável ali”)

No Kindle li muita ficção, biografias, auto ajuda (aí, tá vendo? NUNCA compraria isto em uma livraria!), picaretagem (me divirto horrores), ufologia (nacionais acredito que eu tenha lido todos (dica: se você leu um, já leu todos), romances policiais, política, computação (livros horríveis em diversos idiomas)…

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Muitas capas no Kindle me geram vergonha alheia, sendo assim eu sempre olhava pros lados pra ver se alguém estava vendo meu celular (estes aí são todos porcaria pura diga-se de passagem)

Alguns livros incrivelmente ruins

Seguem aqueles livros que me impressionaram por serem muito ruins. Pode ser que no futuro eu me lembre de outros, mas estes realmente me traumatizaram.

Entendendo o código binário – Aldenor Maya – Link

Minha ingenuidade me pegou aqui: este livro de 20 páginas (20!) essencialmente te mostra como contar de 1 a 1024 em binário. Sim, é isto.

Exopolitics: Political Implications of the Extraterrestrial Presence (English Edition) – Michael E. Salla – Link

Exopolitics: Political Implications Of The Extraterrestrial Presence (English Edition) por [Salla, Michael E.]

Do ponto de vista teórico, seria fascinante, certo? Se alienígenas chegassem em nosso planeta, como seriam as relações políticas com estes povos (se é que seriam povos?)? Mas o livro vai ser rapidamente destruído no momento em que, dentre as fontes “confiáveis” encontram-se pessoas que “foram contactadas telepaticamente por alienígenas”.

(eu sei que é preconceito meu, mas… é mais forte que eu)

E o problema teórico vai se limitar a uma infinidade de teorias da conspiração que não tem como fundamento nada além de mera especulação.

(em um ano como o nosso no qual teorias da conspiração ganharam tanto destaque é muito interessante termos uma leitura crítica sobre estes temas que são realmente muito divertidos)

Incidente em Varginha – Marcos Otero – Link

Incidente em Varginha por [Otero, Marcos ]

Já este livro não é propriamente horrível: o autor reconta o Incidente em Varginha como um romance. Problema: cafona pra daná. Me deu uma crise de vergonha alheia infinita em uma viagem de volta para BH. É meio que Arquivo X… todos os chavões estão aí. Mas hei: me prendeu até o fim! Tenho mixed feelings com este livro.

E as coisas boas no Kindle Unlimited?

Agora vocês vão entender como o programa se pagou comigo: tive acesso a livros por acaso que valeram MUITO a pena.

Lean Inception – Paulo Caroli – Link

Lean Inception: Como Alinhar Pessoas e Construir o Produto Certo por [Caroli, Paulo ]

Sem sombra de dúvidas o melhor livro que já li sobre obtenção de requisitos dentro de uma abordagem ágil de desenvolvimento de software. É um livro muito pequeno, fácil de ler, bem diagramado (livros técnicos no Kindle normalmente não são) e que me agregou horrores!

O Paulo Caroli mostra no livro a metodologia que desenvolveu para a análise de requisitos enquanto trabalhava na Thoughtworks. Há muitas práticas interessantes e abriu minha mente para algumas alternativas que já estou aplicando em nossos clientes.

Agregou tanto que comprei a cópia física pro pessoal da itexto e já estou planejando participar dos cursos que o autor oferece (e parece que de vez em quando ocorrem em Belo Horizonte).

3001: The Final Odyssey – Arthur C. Clarke – Link

3001: The Final Odyssey (Space Odyssey Series Book 4) (English Edition) por [Clarke, Arthur C.]

Muitos anos atrás li 2001 e achei muito chato, ao contrário do filme (que já devo ter visto e revisto umas 30, 40, 50 vezes (é meu favorito – 11 é mirim aqui)). Neste livro temos a conclusão da saga. Você finalmente vai saber de onde os monolitos vieram, o que são e como é dentro deles.

É aquele estilo ficção científica década de 1950 norte-americano. Um pouco pedante, alguns capítulos um pouco longos demais e às vezes descritivos em excesso (o que é até bom, mas pode ser um pouco chato). Há momentos em que você se vê dormindo enquanto lê o livro, mas este ficou comigo como um vício: não conseguia parar.

Encontro com Rama – Arthur C. Clarke – Link

Encontro com Rama por [Clarke, Arthur C.]

Já que estava lá no Kindle Unlimited e eu havia terminado o 3001, peguei o Encontro com Rama. Basicamente a mesma história: nosso encontro com uma civilização alienígena, desta vez quando cientistas descobrem um novo membro em nosso sistema solar que era… alienígena.

Meio que na mesma linha que o 3001. Você começa a ver variações do mesmo tema aqui. É legal, e tem continuações.

O Fim da Infância – Arthur C. Clarke – Link

O Fim da Infância por [Clarke, Arthur C.]

Já deu de Arthur C. Clarke, né? É, pra este post pelo menos já deu (mas li mais coisa). Este livro eu queria ler já fazia alguns anos, não estava no Kindle Unlimited mas, como havia comprado um Kindle, aproveitei e comprei junto a versão digital.

No meio da guerra fria os alienígenas chegam ao nosso planeta: resolvem todos os nossos problemas, aumentam nossa longevidade, curam nossas doenças, resolvem nossa economia. Mas há duas condições: não podemos ver quem são e também não podemos mais explorar o espaço. E aí? Como você resolve isto? E como evolui a arte em uma utopia? Quais as resistências? (muitos questionamentos importantes aqui)

Mesma temática dos livros anteriores, mas sob uma ótica diferente. E é fascinante! Uma visão do futuro muito interessante, na qual no ano 2050 ainda temos folhas datilografadas, você percebe que vive no futuro e nem se dá conta.

Como convencer alguém em 90 segundos – Nicholas Boothman – Link

Como convencer alguém em 90 segundos por [Boothman, Nicholas]

O típico livro que se não fosse pelo Kindle Unlimited eu JAMAIS pegaria em uma livraria. Soa picareta, tem capa picareta e, se for picareta, me enganou direitinho! É essencialmente um livro sobre neurolinguística.

Mais que neurolinguística, há elementos sobre etiqueta mesmo neste texto. É quase um manual de retórica escrito no século XXI. Meus colegas da filosofia vão me zoar, mas me lembrou muito a retórica do Aristóteles ou algo que ele escreveria se estivesse nos dias atuais. Foi uma leitura realmente muito interessante.

O método funciona? Sinceramente não sei: confesso ter vergonha de tentar aplicar este tipo de coisa, mas há alguns pontos ali que comecei a aplicar e realmente deram resultados bastante positivos no meu dia a dia.

Packt Publishing – outro serviço de assinatura bastante interessante

Eu não assinei só o Kindle Unlimited: teve também o Packt, que é um pouco mais caro (US$ 9,99 por mês) e te dá acesso a todos os livros, e cursos publicados pela editora Packt. Você terá acesso a muito material que é quase bom.

Sim, você leu certo: a maior parte do material é quase boa. Isto por que em sua maioria os livros que li eram muito rasos. As mesmas críticas que faço dos livros técnicos nacionais se aplicam aqui. A única vantagem que vi no Packt são alguns caminhos de aprendizagem. Então, se você quer, por exemplo, aprender Machine Learning, eles te apresentam algumas sequências de leitura que são muito úteis.

Se você quer ter pelo menos um conhecimento inicial sobre um assunto técnico, recomendo muito esta assinatura. Inclusive há alguns planos de teste: tipo 15 dias de graça, que são muito úteis.

Em nossa pesquisa sobre JSF, por exemplo, li muito material vindo daqui. Não há uma grande diferença entre os autores que li: sendo assim, se você quer ler sobre Machine Learning, por exemplo, pode literalmente pegar qualquer um dos que são introdutórios e seguir. Mas há suas exceções…

Learning JavaScript Data Structures and Algorithms – Loiane Groner – Link

Learning JavaScript Data Structures and Algorithms - Third Edition

Este livro da Loiane Groner (que é brasileira!) pra quem está aprendendo JavaScript é fenomenal. Entrou na minha lista de interesses como material a ser fornecido aos estagiários da itexto. É exatamente isto: algoritmos e estruturas de dados com JavaScript, e é muito bem escrito. Não li inteiro, mas para iniciantes pode ser uma mão na roda (ou duas!).

Atenção: este livro está na terceira edição e no site oferecem as edições anteriores. Pegue a última.

Saindo das assinaturas, os caminhos que trilhei tecnicamente

Neste ano meus assuntos mudaram radicalmente. Pra vocês terem uma ideia eu, que vivia de Groovy, Grails, Java, open source e Linux terminei o ano da seguinte forma: iPhone na mão, programando em .net (não o Core, o clássico) no Windows de um lado e o Mac do outro.

Foi também o ano em que algumas tecnologias entraram no roll dos meus interesses e projetos:

  • Blockchain – estudei muito blockchain este ano (na Packt tem alguns livros)
  • Machine learning e data science – entrou na minha vida, o que me fez voltar a estudar estatística, aprender Python direito, TensorFlow, etc.
  • JSF – este ano ficamos FERAS em JSF na itexto (quem diria?)
  • .net (estamos nos aprofundando muito na plataforma da Microsoft)
  • Computação gráfica – estamos desenvolvendo uma tecnologia incrível na itexto para um cliente
  • Micronaut – que virou a base do Grails

Então vamos a alguns livros, né?

Estatística: O que é, para que serve, como funciona – Charles Wheelan – Editora Zahar

Estatística: O que é, para que serve, como funciona por [Wheelan, Charles]

Ao iniciarmos nossos estudos sobre machine learning percebi que aquilo que achava saber sobre estatística estava esquecido. Então fui atrás do material: precisava de algo que me dissesse não como realizar os cálculos, mas sim, sob o ponto de vista mais gerencial, O QUE era a estatística e suas aplicações. Este livro caiu como uma luva.

Por que não é escrito por um estatístico, mas sim por um jornalista. Então te dá uma visão bem pragmática da coisa e é exatamente o que o título diz. Mas mais do que isto, nos fornece também uma visão crítica sobre como CONSUMIR informações estatísticas, o que é muito importante.

Foi um livro que me agregou bastante no início do ano.

Use a cabeça! Python – Paul Barry

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Eu queria aprender TensorFlow, e apesar de existir a possibilidade de usar Java com ele, quis expandir meus horizontes. Dado que todo mundo falava de Python… fui buscar material! Dois livros me ajudaram (o outro falo a seguir), mas o que mais me ajudou foi este.

É a metodologia clássica da série “Use a Cabeça!”: muitas imagens, diversos exemplos, uma história pra contextualizar… e pronto: me exercitando um pouco comecei a dar meus primeiros passos com a linguagem. De todo o material que li a respeito, sem sombra de dúvidas, para o iniciante, é o melhor!

Fluent Python – Luciano Ramalho

Fluent Python: Clear, Concise, and Effective Programming (English Edition) por [Ramalho, Luciano]

Quando comecei a aprender Python cometi dois erros:

  • Comecei por este livro – que não é pra iniciantes.
  • Comprei a versão em inglês – o autor é brasileiro e tem uma versão em português!

Não é um livro ruim: pelo contrário! É um livro incrível, e foi o que li após o “Use a cabeça!”. Se você quer se aprofundar na linguagem este é o livro.

É muito bacana: me forneceu o aprofundamento que precisava pra entender o ambiente de desenvolvimento Python. Recomendo demais estes dois livros.

JSF – nada a recomendar

Mencionei agora a pouco que a itexto ficou fera em JSF, né? Sabe como ficamos bons nisto? Lendo basicamente tudo (ou quase) que já foi publicado em português sobre o assunto. E sabe o que descobrimos? Era tudo muito ruim: perdíamos muito tempo com materiais que eram ou errados ou muito, muito rasos. Essencialmente tutoriais publicados como livros.

Então tomamos uma decisão: escrevemos nosso próprio livro interno que iremos liberar em 2021 mesmo que incompleto de graça pra que vocês que precisem aprender JSF não passem pelos perrengues que passamos com o material que encontramos.

Em maio tivemos inclusive um podcast sobre o assunto que você pode conferir neste link.

.net – nada a recomendar

A mesma história que ocorreu com JSF ocorreu com .net. Comecei a escrita de material interno para a itexto que posteriormente devemos publicar como guias em nossos sites.

Clean Architecture – Robert C. Martin

Clean Architecture: A Craftsman's Guide to Software Structure and Design (Robert C. Martin Series) (English Edition) por [Martin, Robert C.]

Não sei se já contei pra vocês, mas não gosto do “Clean Code” do Robert C. Martin. Acho um livro raso, voltado apenas pra iniciantes e uma versão anêmica do Code Complete do Steve McConnell.

Com certeza o mesmo não posso dizer do Clean Architecture. Eu simplesmente amei este livro. Achei incrível como que o Robert C. Martin pegou, por exemplo, conceitos como o de SOLID e o aplicou à arquitetura de sistemas. E há diversas reflexões neste livro sobre o assunto que o tornaram, ao menos pra mim, leitura obrigatória na itexto.

Foi sem sombra de dúvidas um dos livros que mais me impactou este ano: tanto que ano que vêm vou até dar uma segunda (ou terceira? ou quarta?) chance pro Clean Code.

Os caminhos não técnicos que trilhei

Os caminhos não técnicos foram mais interessantes. Como li coisas boas este ano! Comecemos então pelas ficções.

Deuses Americanos – Neil Gaiman – editora intrínseca

Deuses Americanos: (American Gods)

Que LIVRO! Irritei todos ao meu redor forçando-os a ler este livro sem o menor sucesso, mas continuo mesmo assim. O li após saber da existência da série (que assisti depois de ter comprado o livro) e sem sombra de dúvidas foi um dos melhores romances que li no ano.

É um romance alegórico no qual os deuses ganham vida e participam do nosso dia a dia. A premissa é genial: quando os europeus colonizaram a América trouxeram consigo suas crenças, materializadas sob a forma de seus deuses, que perdem sua força conforme diminui a crença em sua existência.

E estes deuses do velho mundo precisam lidar com os novos deuses do novo mundo: a Mídia, o Dinheiro, o Sistema e outros. “Meu Deus” é o que posso dizer sobre este livro sem dar spoilers. É maravilhoso e agora pentelho VOCÊS para que o leiam também.

Mas não cometam o meu erro! Comprei a versão física que é bem grandinha. Compre a versão digital que tá R$ 19,00 na Amazon neste link.

Deuses brasileiros – Rodrigo Rahmati – Link

Deuses Brasileiros por [Rahmati, Rodrigo]

Se existem deuses americanos, por que não falar dos brasileiros? É o que temos neste livro que é gratuito na Amazon. Recomendo a leitura? Não sei: terminei faz pouco tempo.

Sim por que a ideia é muito boa, assim como seu início. Mas você verá que há muitas oportunidades perdidas no texto que acaba se tornando uma fanfic mais que um romance de verdade (pudera, tem apenas 32 páginas!). Pela ideia e pelo início, recomendo. Pra incentivar o autor a escrever outro livro que explore melhor estes temas, também, por que todos os elementos para um livro FABULOSO estão lá, só que não tão bem aproveitados, o que é uma pena.

O coloquei aqui apenas por ser uma curiosidade relacionada ao “Deuses Americanos”.

Mythical Man Month – Frederick Brooks

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Anos atrás li este livro que me marcou bastante: é o livro que todo gestor deveria ler. Este ano o reli novamente e, confesso, perdeu um pouco do encanto que me gerava naquela época. Talvez por que quando o li ainda não precisava gerenciar uma empresa, tal como faço hoje, mas ainda é uma leitura vital.

Cito aqui mais por causa deste desencantamento que tive com o livro. Achei que após lê-lo novamente teria uma visão mais empolgante do mesmo mas infelizmente isto não ocorreu.

Ultralearning – Scott Young – Link

Ultralearning: Master Hard Skills, Outsmart the Competition, and Accelerate Your Career (English Edition) por [Young, Scott]

Se não fosse pelo episódio dedicado a este livro no podcast do Harvard Business Review provavelmente jamais o leria: e teria perdido uma leitura fascinante. O título faz pensar que se trata de auto ajuda, mas na prática é um livro sobre epistemologia (a ciência por trás do conhecimento).

O autor ficou famoso quando em 9 meses conseguiu terminar o curso de Ciência da Computação do MIT sozinho, em casa e passar em todos os exames, usando apenas o material que disponibilizam online. Um feito incrível dado que este é um curso que leva em média 4 ou 5 anos pra ser concluído normalmente.

Durante o processo o autor acabou desenvolvendo técnicas que, inicialmente, aplicou a si mesmo mas que, posteriormente, viu que já eram aplicadas por diversos indivíduos espalhados pelo mundo. E o livro é essencialmente sobre estes indivíduos e os feitos notáveis de aprendizado que conseguiram.

Feitos como se tornarem campeões mundiais em palavras-cruzadas, obter fluência em mais de um idioma por ano, realizar proezas científicas sem conhecimento prévio, aprender a tocar instrumentos, desenhar e muitas outras histórias. E, junto com isto, apresenta também a metodologia que foi observada tanto nestes indivíduos quanto pelo próprio Scott Young.

O que me fascinou no livro foi a imensa quantidade de referências bibliográficas, o que me levou a outros textos que me ensinaram HORRORES durante sua leitura. Foi sem sombra de dúvidas uma das leituras que mais me agregou este ano, e que me fez iniciar uma série de projetos de aprendizado que sem sombra de dúvidas aceleram várias coisas em minha vida.

Pedagogia do Oprimido – Paulo Freire

Pedagogia do oprimido (Portuguese Edition) by [Freire, Paulo]

De uns tempos pra cá tem-se falado tanto de Paulo Freire que acabei ficando curioso. Resolvi ler seu livro mais conhecido que é o Pedagogia do Oprimido. Ainda não terminei: é um texto difícil (talvez por isto tantas críticas, não o entendem (será que eu o estou entendendo?)) mas muito interessante.

Quando digo interessante, é interessante MESMO. Paulo Freire nos mostra a educação como forma de libertação e opressão do indivíduo, e conforme você acompanha o texto, vê claramente por que ele causa tanto incômodo (se causa incômodo, é bom: sinal de que faz gente pensar, discordar é bom). Não se prega uma revolução das massas como dizem por aí ou algo similar. Apenas mostra como a forma como educamos as pessoas pode ser uma ferramenta de opressão.

Esta é minha percepção bastante limitada que tenho neste momento sobre o livro. Com certeza em 2021 devo escrever algo a respeito, pois tem sido uma leitura muito enriquecedora pra mim.

(é muito difícil mesmo: o estilo lembra muito o do Hegel, que é um autor dificílimo. Talvez por isto esteja gostando tanto, Hegel é uma das maiores influências sobre mim)

E a cereja do bolo.

Bhagavad Gita – Vyasa

Bhagavad-gītā As It Is

Pouca gente sabe ou lembra, mas na adolescência quis ser Hare Krishna, mas eu era ignorante, preguiçoso e nunca li nada a respeito. Este ano por mero acaso vi o livro em uma livraria e comprei a versão física: era minha chance de finalmente ler o livro. Minutos depois descobri que existe uma versão online gratuita do mesmo texto que pode ser acessada neste link (e foi o texto que li, não o físico).

A imagem pode conter: Henrique Lobo Weissmann, em pé e área interna
Adolescência é uma época miserável

Não me tornei Hare Krishna, fiz uma leitura totalmente enviesada pelo meu background ocidental, provavelmente entendi muita coisa de forma completamente distorcida mas tenho a certeza de que minha vida inteira me direcionou de uma forma bem torta para a leitura deste texto. Quando terminei tive a certeza de que sai uma pessoa melhor do que aquela que comprou o livro físico na livraria.

(e depois de terminar voltei a ele varias e varias vezes e ainda retorno)

Sim, foi uma mudança profunda e inesperada em mim, mas do que trata este livro? É uma história que contém essencialmente dois personagens: Krishna (a encarnação de Deus) e Arjuna, um príncipe, que representa nós, indivíduos normais. Arjuna se encontra no campo de batalha prestes a começar uma guerra.

Do outro lado do campo vê seus inimigos: e dentre eles seus parentes, antigos amigos, conhecidos. Ele está ao lado de Krishna e se questiona se é certo matá-los. Leva esta questão então a Krishna esperando sua resposta… Ok, esta é a hora em que você pensa: Krishna lhe disse para buscar a paz, certo? A resposta vêm no canto 2: “Meu querido Arjuna, como foi que tais impurezas desenvolveram-se em você? Elas não condizem com um homem que conhece o valor da vida. Elas não conduzem aos planetas superiores, mas à infâmia.”.

Krishna lhe mostra que deve destruí-los, o que me surpreendeu (vê minha leitura enviesada?). E inicia-se então uma série de dezoito cantos que é um dos textos mais LINDOS e profundos com os quais me deparei. Mais que isto: inclusive preencheu lacunas da minha formação: consegui entender, por exemplo, de onde vinha parte do que Parmênides e Heráclito diziam em seus fragmentos.

E claro, não conseguia ler o texto sem pensar no Raul Seixas com Gita. Lembra? Não? Não conhece? Ah… resolvo agora! Sim, Gita é o mesmo texto do Bhagavad Gita: é um dos cantos.

Foi curioso que a leitura do Bhagavad Gita veio depois dos Deuses Americanos. Coincidência ou eu inconscientemente me preparando pra esta leitura? Jamais saberei.

Bom, então segue uma lista não de um livro, mas vários textos vedas, todos gratuitos que você pode acessar neste site: https://vedabase.io . É como disse: não me converteram, mas sem sombra de dúvidas me tornaram uma pessoa melhor.

Consequências de muita leitura este ano que impactarão profundamente nosso 2020

A ideia destes meus posts é poder compartilhar com vocês as leituras que mais me agregam durante o ano e, olhando pra trás, poder comparar com o que tenho lido ao longo do tempo. Este ano sem sombra de dúvidas foi um dos que mais li: especialmente material técnico. E todo ano tenho a mesma reclamação a respeito do que leio (especialmente em português): com raríssimas exceções, quando não é extremamente raso é errado.

Sério: posso dizer hoje com bastante segurança que já tivemos prejuízos na itexto devido a livros ruins. Não raro compro material de estudo para nossa equipe e cometo o erro de não ter lido antes com atenção aquele conteúdo. Resultado: leitor sofrendo com revisões (será que realmente há uma revisão?) péssimas do material que está a venda.

Foi assim com JSF este ano: acabamos optamos por criar nosso próprio material didático. A mesma coisa quando compramos material sobre Laravel, Spring (!!!), Java, PHP, .net, Python… Me assusta a baixa qualidade do que consumimos e as consequências desta vulgarização da publicação.

Em um primeiro momento parece ótimo qualquer um poder ter seu livro publicado, mas isto abre a chancela pra que qualquer porcaria vá para o mercado e, na outra ponta, leitores que confiam no material que compram (afinal de contas, é um livro, foi publicado) sofram com a qualidade do que estão consumindo.

(isto ficou ainda mais nítido quando assinei a Packt e Kindle Unlimited: o problema não é só aqui no Brasil, internacionalmente também ocorre isto)

Conferi os reviews dos livros que escrevi e pra minha surpresa são bastante positivos mesmo anos após terem sido publicados. A crítica negativa que encontrei foi a de que eles não eram um tutorial (o que me forçou na época a reescrever o de Spring, que foi bem mal divulgado em sua segunda edição inclusive).

Então decidi que em 2020 volto a publicar livros seguindo as diretrizes que defendo aqui e aqui. Cansei de só reclamar: sendo assim já comecei a pesquisar como este material deve ser produzido, qual forma devemos adotar em sua publicação e vou por a cara a tapa pra tentar, com a minha contribuição, melhorar o que consumimos por aí.

2020 promete!

PS: estou trabalhando no próximo livro que já tem capítulos prontos (e não é só um livro, como disse, 2020 promete!)

7 comentários em “Minhas boas leituras de 2019 (e as bem ruins também)!”

  1. Queria apenas dizer obrigado! Sua iniciativa nesse post é a melhor de toda a internet (pelo menos para mim), posts semelhantes são muito rasos e até meio infantis (do jeito ruim).

  2. Gostei muito do post, Kico.
    Da sua lista, eu li apenas “The Mythical Man-Month” – este ano inclusive.

    Feliz 2020.

  3. Não vi “preconceito” com as pessoas que relatam contato com ETs, Papai Noel e similares; um cara que toma esses relatos como válidos para um trabalho científico tem mais é que tomar porrada pública mesmo.

    Sobre a qualidade dos livros, pagar barato é sempre uma loteria: você na maioria das vezes só vai achar lixo mas, com sorte, se tentar muitas vezes (olha a Estatística), acha algum tesouro.

    Interessantes as observações sobre o Paulo Freire. Os grupos políticos precisam de bodes expiatórios e calhou do homem ser um deles. A associação que fazem dele com o comunismo é coisa da cabeça do Olavo de Carvalho não é? Sobrou até para os Beatles, mas quando é menos conhecido das massas o medo criado é maior.

    Feliz 2020, que no ano que se inicia haja sempre novos posts por aqui :)

    1. Kico (Henrique Lobo Weissmann)

      Oi Éderson, muito obrigado!
      Sobre muitos posts em 2020 aqui… pode ter certeza, voltei a aquecer com tudo no final de 2019, valeu!

  4. Obrigado pelas dicas!
    Um outro comentário aqui, queria ter tanta organização na leitura assim. Se me perguntarem o que li em 2019, não sou capaz de lembrar de quase nada. E pelo menos 80% de tudo o que comecei não foi terminado. Muito triste :-(

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