Armadilhas para desenvolvedores: os exploradores

Cristóvão Colombo: empreendedor do século XV que se daria muito bem na área de TI do século XXI

Recentemente li dois livros maravilhosos que me fizeram repensar o mercado de desenvolvimento de software: “As Veias Abertas da América Latina”, de Eduardo Galeano e “Brevísima relación de la destrucción de las Indias”, de Bartolomé de Las Casas. O assunto é o mesmo: o modo como as Américas foram brutalmente exploradas e os indios dizimados pelos espanhóis e portugueses.

Transpondo para a minha realidade, percebi que os exploradores ainda atuam, só que na área de TI do século XXI. Há uma nova “etnia” a ser explorada: os tais dos desenvolvedores, que “curtem tanto o que fazem que muitas vezes trabalham até de graça” (já ouvi isto). Ah, e claro: usar a palavra “explorador” depois deste passado sangrento pega muito mal: então a palavra da vez é “empreendedor”. Nada pode dar errado (e raras vezes da).

Primeira tática: escambo

“Oi Nativo, tudo bem? Tenho um negócio massa pra você: que tal você me dar o seu ouro em troca destas minhas pedrinhas brilhantes mágicas? Topas?”

A frase me soou tão familiar que fiquei vermelho de vergonha. Um empreendedor te procura com uma idéia maravilhosa, porém não pode lhe pagar em espécie. No lugar, te oferece algum bem não financeiro, como por exemplo um video game, parceria (vou falar mais sobre parcerias logo à frente), computadores ou alguma outra bobagem cuja liquidez seja mínima ou inexistente. E você aceita rindo!

Ah... o escambo!

Logo em seguida você rala feito um louco e entrega o resultado final ao “empreendedor”, que sempre pede alguma coisa a mais, muitas vezes ultrapassando em muito o valor do que você recebeu.

Me desculpe cagar na sua janta amigo, mas se você topou (assim como eu), você fez papel de otário. Isto porquê o sujeito não lhe pagou o valor REAL do seu trabalho, mas o custo reduzido que ele tem para obter a bugiganga que te empurrou. Então, se seu trabalho valesse R$ 100,00 e você recebe como pagamento um livro de R$ 100,00, na realidade nosso amigo empreendedor te pagou R$ 60,00 no máximo.

E… tem outra: contas normalmente são pagas em dinheiro, não em missangas. Mesmo que você venda a porcaria que recebeu, só o seu trabalho em tentar obter liquidez com esta joça já diminuiu ainda mais o seu ganho.

Segunda tática: divulgação

“Oi Nativo, tudo bem? Se me fornecer seu trabalho, contarei para o meu Deus a seu respeito, e este jogará sobre ti graças infinitas!”

Recebi um e-mail HOJE que é uma transcrição deste papo furado. Segue abaixo:

“Oi Henrique, tudo bem?

Acompanho seu blog há muito tempo, e sei que você é referência em Groovy/Grails. Estamos iniciando um projeto que terá grande visibilidade nacional e gostaríamos de te ter como parceiro, o que se pagará para ti como uma publicidade monstruosa.

Topaz?˜

Ah... a fama!

E você vê a possibilidade de fazer inúmeros clientes e contatos. Claro que você vai topar: afinal de contas, o sucesso depende de contatos, certo? Vai ser uma publicidade monstruosa! O que poderia dar errado?

Tudo.

Seguinte: publicidade monstruosa é aparecer o SEU nome na mídia REAL, e não em comentários de rodapé em reportagens de revistas que não valem nada ou num boca a boca pouco expressivo que é o que realmente acontece.

Publicidade REAL se obtém fazendo um bom trabalho, tarefa esta que é REMUNERADA e RECONHECIDA pela QUALIDADE. Quer saber de uma coisa? ESTA é a melhor divulgação possível: quando sua obra é citada porque atendeu BEM o cliente e este, satisfeito, te indica para outras pessoas.

Ou então, quando o cliente não te indica para ninguém mas, sabendo que este está satisfeito, você mesmo publica o case no seu site. Por favor: não caia nesta arapuca como já cai inúmeras vezes.

Terceira tática: parcerias

“Nativo! Tudo bem? Olha: acho que podemos crescer trabalhando juntos. O que me diz de participar comigo de um ou mais projetos sob o regime de parceria?”

Ah... as parcerias!

Quem trabalha com desenvolvimento e NUNCA recebeu um e-mail com a proposta de entrar de sócio em uma parceria na qual nada pode dar errado que atire o primeiro monitor LCD de 42 polegadas!

Sabe o que é mais engraçado? Percebi que os desbravadores que te propõem parcerias não sabem, eles mesmos, o que é uma! Só pra lembrar, uma parceria deve lidar claramente com as seguintes questões:

  • Claramente, qual é o objetivo em comum?
  • Como será a distribuição dos ganhos E, ainda mais importante, dos gastos? Qual o capital a ser usado  e qual será sua distribuição?
  • Quais os objetivos individuais de cada participante? (fundamental para evitar a concorrência entre os membros)
  • Qual a distribuição das tarefas?
  • Qual o plano de negócios?

Se você mandar esta lista de perguntas pro “proponente” e ele não te responder TODAS, já te digo qual o tipo de parceria que você está entrando: escravidão. O sujeito tá procurando mão de obra gratuita pra um projeto que, numa boa? Provavelmente não irá pra frente.

Se não passar, você não tem uma relação de parceria, mas sim meramente comercial, na qual ambos os lados querem apenas maximizar o próprio lucro (não há nada de errado com isto).

Por quê é assim hein?

A culpa é 80% nossa. Muitas vezes, gostamos TANTO do que fazemos que acabamos ficando muito bons na coisa e começamos a achar fácil o negócio. E então surge o seguinte pensamento: “ah, isto é fácil! Não vou cobrar muito”, ou então o pior deles “não acredito que estão me pagando pra fazer isto!”(!!!).

Gente: escrever software NÃO é fácil. Se fosse, já existiriam geradores de código eficazes pra executar esta tarefa e programadores não existiriam mais. Se seu software é de qualidade, não há problema ALGUM em cobrar o valor justo pelo seu trabalho.

Nossa formação também não é comercial. Somos desenvolvedores: projetamos e escrevemos software, não contratos comerciais. Mas ai é preciso fazer alguns questionamentos:

O que é “caro”?

Vais sair mais caro que minha caravela!

Simples: algo é caro quando o valor investido é maior que o ganho esperado. Pagar por um tablet xingling o preço de um iPad é caro, porque ele não te traz o mesmo ganho. Ao mesmo tempo, contratar um profissional com valor hora de R$ 1000,00 por um dia pra resolver seu problema num projeto cujo valor é R$ 1.000.000,00 não.

Sendo assim, se o desbravador vier pra cima de você com o papo de “seu trabalho tá muito caro”, levante as seguintes perguntas:

  • Qual o ganho esperado pelo resultado do meu trabalho?
  • A qualidade do seu trabalho vale o que você está cobrando? Faça uma auto-crítica. Será que você é realmente tão bom assim quanto se vende? Em caso afirmativo, baseado em quais FATOS?

Exemplo: o cliente tem um servidor de R$ 3000,00 para executar o seu sistema. Se você propõe R$ 3500,00 e ele te diz que ta caro, porque o PC dele custou menos que isto, você pergunta o seguinte: “qual o valor do seu PC sem o meu software?”

Se agrega valor não é caro: é investimento. O bandeirante ainda acha caro mesmo após ter justificado o valor? A solução é fácil: diga-lhe que consulte o mercado em busca de outras soluções. Normalmente não vale à pena.

Como você justifica o custo?

É muito fácil virar para o seu cliente e dizer: “custa X”. Custa X porque? Qual a unidade empregada? Numa boa: oferecer valores injustificados alimenta o desbravador contra você. Acredito ser fundamental ter alguma métrica a ser exposta, seja esta qual for: homem hora, pontos de função, casos de uso, que seja.

O importante é ter uma linguagem em comum pra não ter de escutar depois o “ta caro”. Sem esta, você está simplesmente alimentando indefinidamente esta merda toda.

Lembre-se do seguinte: no seu valor deve vir inserido todo o tempo que você investiu com estudo, pesquisa e aprimoramento. Este esforço não deve em hipótese alguma ser negligenciado. Não se aperfeiçoa em algo simplesmente pra ser o melhor nela e por assim ficar. Não! Este investimento DEVE ser refletido no seu valor hora.

Como eu evito cair nesta?

Nossos empreendedores tem uma arma tão poderosa quanto as espadas e a pólvora: o dinheiro. É fato: você precisa dele pra sobreviver, e não pode em maneira alguma se queimar no mercado. Mas ao mesmo tempo, assim como você depende do cliente, o contrário também é verdade.

Segue aqui então uma lista de atitudes que tem me ajudado a escapar destes ataques uns 70% das vezes:

  • JAMAIS faça nada de graça (ô arrependimento!): as pessoas não valorizam o gratuito. Você com certeza receberá um obrigado, mas não mais do que isto.
  • Cobre o justo: não esfaqueie seu cliente. Cobre o valor correto para manter uma relação de longo prazo.
  • Não comece a trabalhar antes de ter um orçamento aprovado (neste caso, o errado é você que se afobou)
  • Valorize-se: se seu trabalho fosse tão fácil assim, não estariam te procurando pra fazê-lo.
  • Seja honesto: é a única forma de ter moral em qualquer negócio e também de se diferenciar da multidão de picaretas que destroem nossa imagem

Concluindo

Uma vez eu ouvi a seguinte frase: “se trabalho fosse bom, não te pagavam pra isto”. A resposta foi imediata:

“Olha: meu trabalho É bom. AMO o que faço, então me dedico ao ofício. Consequentemente, vou ser um dos melhores.
As pessoas me pagam portanto não é porque é ruim, mas porque não conseguem executar a mesma tarefa que executo, no tempo que faço e com a qualidade que ofereço.”

PS: fui muito influenciado pelo excelente blog do Luiz DiVasca @divasca, cujo link é http://divasca.blogspot.com/. Precisamos de mais gente com sua coragem.

95 comentários em “Armadilhas para desenvolvedores: os exploradores”

    1. Oi Dyego, que bom que gostou cara! Valeu!
      Este assunto tá na minha cabeça há um bom tempo, e estava buscando uma maneira bacana de poder expor o problema.

      1. Dyego Souza Do Carmo

        Ja tive muita prposta destas , aceitei varias , mas hj em dia cobro o justo. Deixar a familia de lado por bobagens semi gratis nao eh mais uma opcao para mim…

        1. Dyego, o que me irrita é que nós caimos nestas furadas DIRETO.

          Eu mesmo tive uma experiência deste tipo neste mês e vou te dizer: no more.

          NUNCA mais faço qualquer tipo de trabalho gratuito.

          1. Dyego Souza Do Carmo

            Tanto gratuito quanto preco de banana….. no more.

          2. Cara, nesse ponto restam duvidas e sao pensamentos radicais que impedem uma visao mais otmista. Veja a estoria de Chris Gardner

          3. Dyego Souza Do Carmo

            Eh verdade , alguns chamao de oportunidade , eu ja considero uma BAITA SACANAGEM.

            Eu poderia chamar de uma opoetunidadebde ” mandar pastar” nestes casos :-)

            Se voce considera lixo o trabalho dos outros prq eu deveria considerar o contrario o seu ??

  1. Caro Kico, ótimo post mas achei que faltou a visão do cliente também. Como contratador, várias vezes tive o desprazer de interagir com supostos profissionais de TI que prometiam a oitava maravilha em código e no final só entregavam lixo. Bugs óbvios por falta de teste, invencionices que não correspondiam aos requisitos, atrasos de desculpas esfarrapadas. Muitos desenvolvedores querem e fazem uma exploração real dos parceiros ou clientes. Tem gente desonesta dos 2 lados e gente honesta também. Infelizmente a minha frase reflete um problema: a existência de “lados”. Continue com a ótima qualidade dos seus posts e parabéns mais uma vez.

    1. Oi Léo, com certeza. Fico feliz que tenha gostado, valeu!

      Mas de qualquer maneira, o fato de haverem profissionais ruins não justifica a tentativa de se passar a perna nos mesmos com o tipo de proposta que apresentei aqui.

      Aliás, exatamente por pagar corretamente E com respeito ao desenvolvedor é que o cliente também deve fazer a sua parte, que é justamente cobrar pela qualidade pela qual estaria em teoria pagando.

    2. Dyego Souza Do Carmo

      Se voce contratou-os em algum dos regimes acima voce nao tem muito do que reclamar..

      NAO EXISTE ALMOCO DE GRACA.

        1. Dyego Souza Do Carmo

          Legal esta “postura jesus” nao acha ? O empregador te sacaneia e vc ainda tem que entregar algo INACREDITAVEL e de facil manutencao…. postura eh algo que se cobra apenas quando se tem.
          E em muitos casos ela soh eh lembrada quando o resultado nao eh o esperado.

      1. Ah, sabe Dyego, neste caso não sei não.

        Por que uma vez que você aceita a proposta, é aquele negócio: missão dada tem de ser missão cumprida

        Talvez JUSTAMENTE nestes casos, a qualidade também tenha de ser excelente pra que assim você possa reclamar no futuro. Acredito que o profissionalismo deva aparecer em qualquer situação, independente do valor.

        Talvez seja um pensamento utópico meu.

        1. Dyego Souza Do Carmo

          Se realmente existisse boa feh o empregador nao contratria “o melhor” afinal o oferecido nao eh o melhor… e sim uma BAITA ILUSAO e acreditando na sua inocencia e na sua boa feh ele faz esse tipo de proposta

    3. Cara, sempre que vejo essas comparações, eu meio que me chateio. Alguns dias atrás estava rolando uma discussão na lista .NET Architects sobre como o mercado utiliza o termo “falta de profissionais qualificados” para se referir a “alguém que faça tudo o que eu quero pelo pouco que pago”. Rapidinho chegou alguém pra falar sobre os desenvolvedores ruins, que prometem o mundo, cobram bem e não sabem fazer nada.

      Estou vendo a mesma situação nessa resposta. É simples: uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Se você tenta sugar algo de uma pessoa dessa maneira, ao meu ver, você errou duas vezes: uma por querer que o cara trabalhe de graça, e outra por escolher um péssimo profissional. Neste caso não há como justificar o fato de você não querer pagar pelo trabalho mal-feito. Você já iniciou a negociação com o intuito de não pagar. Se você tivesse contratado com valores justos e o trabalho fosse porco, aí sim, eu concordaria em questionar o pagamento.

      Enfim, embora eu concorde com a visão de “missão dada é missão cumprida”, eu acredito no seguinte: as pessoas vão dar o mesmo valor que você está dando ao trabalho delas.

      1. Oi Fernando,

        mas ai que tá: eu acho que você tem de ser profissional independente da situação pra que, ao menos, tenha moral no final pra negociar melhor a situação.

        1. Concordo. Temos que profissionais, independente da situação. Mas na prática, não creio que aconteça com tanta freqüência.

          Nunca passei por essas situações que você citou, então não tenho certeza de como reagiria ao começar a me sentir explorado. Mas todas as pessoas que conheço que passaram por isso (até mesmo em outras áreas) acabaram da mesma maneira: valorizando tanto quanto foram valorizadas. E nesse ponto, não falo só de valorização financeira, porque lá no final, não é só isso que define o seu comportamento.

          Sei lá. A minha visão é: não espere das pessoas atitudes que você não tem (por “você” eu não me refiro a você, Kico, apenas generalizando).

  2. Ótimo texto!

    Curiosamente, eu nunca cai nesta. Mas não faltaram propostas.

    O 1º caso, foi justamente o motivo da fundação da http://www.mosaiko.com.br – Um cara me propôs uma parceria, onde eu trabalharia duro, faria absolutamente tudo, e então dividiríamos o lucro.

    Dei um pé na bunda do safado e montei a empresa sozinho.

    O mais recente, partiu de uma emissora de TV que todos nós conhecemos, deve ser a 2º ou 3º maior do país. Queriam 2 hotsites, alguns games interativos e como pagamento, exibiriam o nome da Mosaiko naquelas letrinhas miúdas ao final do programa… aquelas letrinhas que ninguém lê.

    Pé na bunda novamente.

    A conversinha é sempre a mesma.
    Pelo menos 2 vezes por mês alguém me procura querendo parceria… tsc, tsc… aliás, chegou e-mail com a palavra parceria, nem leio mais.

    Abs.

    1. Oi Moisés, que bom que gostou cara.

      Sabe, eu acredito que nós precisamos começar a divulgar mais este tipo de comportamento pra que assim as pessoas se sintam constrangidas de propor estas monstruosidades.

      Talvez eu esteja sendo otimista, mas em alguns momentos eu tenho a impressão de que estas propostas na realidade surgem da própria ignorancia do proponente.

  3. Marcelo Nascimento

    Ótimo desabafo! A culpa são dos próprios profissionais que não valorizam a profissão. Programinha, sisteminha, negocinho… estas palavras devem ser abolidas. Software é complexo e ponto final, o preço tem que ser justo!

    1. Oi Marcelo, que bom que gostou cara.

      Concordo demais com você. Se for pra melhorar a coisa, tem de partir de nós.

  4. Ótimo post, já passei por coisa parecida, onde vc da alma e no final leva um pé na bunda =/ .
    Já aprendi a dizer não para propostas horríveis, e eles vem com o papinho: “á, já que tu não quer, vou contratar o fulano pela metade do preço”. Eu só penso: vai la filho, boa sorte, depois tu vai gastar mais para outra pessoa ter que arrumar o lixo ou simplesmente excluir o que o sobrinho fez.
    Tem muito “desenvolvedor(!?!?)” ruim, que topa qquer projeto por um preço irrisório, mas o mesmo reflete a qualidade do que será feito.
    Acho que todos da nossa área deveriam pensar: “gosta do meu trabalho? quer realmente que eu faça? então pague por isso”. Se todos pensassem assim, iria resolver o problema de cliente e desenvolvedor aproveitador.

    []s o/

  5. Parabéns pelo artigo, esse tipo de informação com certeza ajuda a tornar nosso mercado mais profissional.

  6. Parabéns pelo excelente texto. Como voce já viu no Blog do Di Vasca, ilustradores sofrem o mesmo problema – na verdade, quase todas as áreas onde há profissionais liberais sofrem deste mal.
    Tomei a liberdade de divulgar este texto em um grupo de discussão sobre HQs no Facebook (http://www.facebook.com/groups/128283663891360/), e daqui a pouco vou postar no meu mural também. Quem sabe ajudamos algum novato a se valorizar?
    Até mais!

  7. Cara de quando conheci o blog do Di Vasca pra cá (menos de duas semanas) tenho visto alguns textos com essa mesma idéia, e acho excelente que cada vez mais profissionais, sejam eles ilustradores, programadores para web, desenvolvedores de software e tantos outros serviços, divulguem e expressem seus sentimentos ao passar por algo assim, pra que quando um “empreendedor” procurar seu serviços tenham a oportunidade de ler este texto e ficar com vergonha antes de te fazer uma proposta sem cabimento destas.

    A ultima que recebi foi de um advogado, que reclamou que os R$ 100,00 mensais que ele paga pela manutenção do site era um valor suficientemente bom para que eu alterasse o layout de dois dos seus sites e ainda fizesse a manutenção destes sites. Mesmo sem conhecer o blog do Di Vasca eu apenas sugeri ao cliente que cuidasse de um caso jurídico a meu favor cobrando apenas R$ 100,00 e que este valor a ser pago estaria de bom tamanho aos serviços dele, já que ele sempre faz isso mesmo.

    A conversa sobre os serviços extras encerraram-se neste mesmo email, pois no próximo email, não muito contente, o cliente solicitou um orçamento para alteração do layout dos sites.

    1. É foda. Minha opinião é a seguinte: quer mão de obra barata e de qualidade duvidosa? Procure um moleque qualquer.

  8. Não vou comentar muito, senão vai ficar maior que o próprio artigo. Mas este é sem dúvida um dos melhores artigos que já li. Tudo que tem ai em cima é verdade e está escrito sem desvios. parabéns.

    1. Nossa Wilian, que bom cara. Me sinto honrado em ler isto.
      Bora então todo mundo começar a divulgar este tipo de monstruosidade pra evitar que elas ocorram ainda mais por ai!

  9. Kico, texto excelente, gostoso de ler. Interessantíssimo e as suas citações com “nativos” foi 10. Muito obrigado.

    um abraço,
    Fabio.

  10. Excelente texto, passáreis para meus alunos o link sempre. É tudo grande realidade. Precisamos ter uma organização para cobrar, nao sei de é exageiro, mas uma Ordem dos Informatas ou algo do gereno, a final, essa é a nossa profissão. Nem relógio trabalha de graça.

  11. Parabéns pelo excelente texto. As comparações são perfeitas. Passei alguns anos fazendo isso e não só em desenvolvimento, mas em muitas outras situações. Minha esposa vivia me dizendo que eu era muito “bonzinho”, que pessoas assim sempre tem quem se aproxime para explorar.
    Depois que comecei a me valorizar pelo que eu havia acumulado de conhecimento e experiência. A procura não diminuiu, pelo contrário, ela aumentou e raramente alguém vem a mim com alguma proposta que não seja a do verdadeiro vinculo comercial.
    Que seu texto seja inspirador dos verdadeiros profissionais.

    1. Oi Marcos,

      pois é: somos “nativos” né? Não temos formação comercial de cara, mas é assim mesmo. A gente apanha e vai aprendendo :)

      Fico feliz que tenha gostado. Valeu!

  12. Eu já vivi a segunda e terceira tática.

    A segunda tática, foi de um cliente que tinha e e filiais e pediu desconto nos valores da manutenção prometendo indicações para outros futuros clientes. Como ele era muito conhecido no nicho que ele atuava, meu chefe caiu nessa, apostando nele.

    A terceira tática foi de um representante de uma indústria de tintas. A indústria que ele representava, não tinha um software para máquinas de pigmentação de bases. A princípio aceitei fazer um protótipo para máquinas manuais com base numa simples tabela para ele apresentar ao diretores da indústria em outro estado. Depois ele veio com um papo de que pra gente fechar com a indústria, eu tinha que fazer o software usando uma máquina automática. Eu teria que estudar a documentação da máquina pra ele poder demonstrar. Depois dessa, falei pra ele que não dava pois nem sequer um documento tinha sido assinado entre a indústria e a gente. Passou o tempo, ele não me procurou mais. Deve ter tentado fazer com outro trouxa.

    Essa é a famosa parceria Caracú. Um entra com a cara e outro com o …

    1. Quando picareta chega pra mim com papo de “parceria” automaticamente já traduzo pra “mão de obra escrava”

  13. Nelson Júnior

    Henrique mais uma vez parabéns pelo Post, acho q as situações que vc mencionou no post estão cada dia mais presentes no nosso dia a dia de desenvolvedor, sem contar que cada dia mais o termo “Acho q meu sobrinho faz isso pra mim” está se tornando realidade.

    1. Oi Nelson, legal que tenha gostado, valeu!

      Sabe, eu desconfio que o sobrinho é invenção do diabo! :D

  14. Excelente post.
    Acabei de ler minha vida (infelizmente). Gostaria de ter lido esse post há uns anos atrás, me pouparia de passar por uma situação bem chata e complicada em que me meti. Fui colonizado…

  15. Ulisses Constantini

    Excelente post.

    Me fez sentir um otário por aceitar por inúmeras vezes esses malditos exploradores…

    1. Oi Ulisses, legal que tenha gostado.

      Sabe uma maneira que encontrei pra resolver o incômodo de ficar recebendo este tipo de proposta cretina? Eu escrevi este post.

      A partir dai, já tenho uma resposta automática pra este tipo de baixaria. Tem me poupado muito tempo :D

  16. Felipe Zampa

    Fala Kico!

    É meu primeiro comentário em post seu, então vou contribuir também hehe

    Muito se fala em libertação desse tipo de serviço onde o “contratante” só quer seu produto de trabalho em troca de reconhecimento, visibilidade, tapinha nas costas, pamonha, paçoquinha… Mas muito pouco se fala em formas de oferecer um contrato saudável na hora de fazer aquele freela.
    Ontem o Carlos Brando fez uma postagem muito bacana sobre esse tema e acho que pode ser uma boa dica de como se dar bem em situações onde a princípio não tinha nem condição de negociar: http://nomedojogo.com/2011/09/12/contratos-onde-todos-ganham/

    Se vc escuta a proposta e retorna com um contrato pro cliente assinar ele já passa a te tratar com uma visão diferente. Bobo ele já ve que vc não é.

    1. Ei colega da Eteg!

      Cara, eu concordo demais da conta com você, e é o que eu digo no post: o que gera este tipo de picaretagem não é o picareta em si, mas nós, “nativos” que não temos qualquer formação gerencial e acabamos fazendo este tipo de monstruosidade.

      Massa o texto!

  17. Uso Linux … ele é de graça … e foi feito por pessoas que trabalham …. de graça. :D E parte do meu trabalho é oferecido …. de graça.

    Tenho problemas pessoais com capital ?
    Sim …. mas capital não compra paz de espírito. ^^

    1. Bom, não entendi muito bem o seu comentário e o que quer dizer, mas discordo com relação à parte “de graça”. Não, não é de graça.

      Quem contribui com projetos open source não visa na maioria das vezes o ganho direto e trivial que é o financeiro, mas sim o indireto a partir do próprio reconhecimento.

      Aliás, o conceito de ganho também precisa ser melhor pensado. Não necessáriamente (e este é um caso) é o financeiro.

      Se não fosse assim, os commits seriam todos anônimos.

      1. Vou aprofundar um pouco tema do ganho.
        E para isso vou citar meu amigo Jorge Raúl Olguín.

        Ele é um importante pesquisador da área da psicologia e fez um trabalho praticamente revolucionário na área dele. E de quebra publicou tudo isso de graça.

        Com isso ele ganhou prêmios e reconhecimento por seu trabalho. Mas aindan não ficou milhonário. :O

        E bom …. se ele poderia publicar de forma anônima para quem eu enviaria um e-mail para aprofundar certas questões do tema ? :O

        No caso de meu amigo, ele publicou de forma gratuíta pois queria que as pessoas tivessem a liberdade de ler e distribuír o trabalho dele sem que questões financeiras impedissem isso.

        E bom …. o que isto tem haver com software ?
        Várias vezes temos um software tão bom e tão útil que chega a ser uma pena não oferecer ele para o maior número de pessoas. :O

        E bom …. haverá algum ganho com isso ?
        A menos que a pessoa coloque a própria foto no software talvez não tenha nenhum ganho palpeável.

        Mas cuidado, isso não desconsidera o tema dos exploradores e explorados.
        Sei que pessoas assim realmente existem, mas também tem pessoas de boa fê que podem ser confundidas. :O
        E no caso do software livre, ou da pesquisa livre, isso é bem fácil de confundir. :O

        1. Uai Álvaro, eu concordo com você. Mas de qualquer maneira, há ganho ai. Reconhecimento é um ganho inegável.

          Sendo assim, o termo “de graça” não se aplica. De graça só se for anônimamente

          1. Então vou responder de forma irônica.
            Até mesmo quem oferece algo de forma anônima está ganhando algo …. nem que seja paz de espírito. :D

  18. Marcelo Nascimento

    “Várias vezes temos um software tão bom e tão útil que chega a ser uma pena não oferecer ele para o maior número de pessoas.”

    Não acredito em “Madre Tereza Software”, tem que ter um ganho nesta história, que seja o reconhecimento entre a comunidade e assim conseguir trabalhos remunerados, como por exemplo, consultorias.

    1. Se eu colocar no currículo:

      Desenvolvi 0,000001% do código do Linux em 2008.
      Mas infelizmente esse código não esta disponível pois alguêm que achou que ele era lento e fez um melhor.

      …. onde esta o mérito ?

      Sei que existe, pois a pessoa colocou um tijolo nisto tudo. E isso é importante.

      Porém, se essa informação não for de utilidade para o currículo da pessoa …. então onde esta o lucro ?

      Eu por exemplo não tenho certeza dos nomes dos programadores que desenvolveram o Linux. :O

      1. Oi Álvaro, me desculpe a burrice, mas realmente não consegui entender até agora o que seus comentários tem a ver com este post :)

        1. É simples. :D

          Digamos que do nada aparece uma pessoa e diz
          – “Ei Humano, vamos montar um grande programa. Mas não tenho nada para oferecer em troca. Você pode trabalhar de graça ?”.

          A primeira vista pode parecer um explorador. Mas só a primeira vista.
          Existe ainda a possibilidade de ser uma pessoa bem intencionada. :O

          Mas como diferenciar um explorador de uma pessoa bem intencionada ? :O

  19. Eu constantemente sou aliciado por empreendedores que nada sabem do mercado web e só faltam pedir para seus sites servirem cafezinho, até que eu parei para valorizar o meu trabalho, sumiram quase que por encanto.
    Chega um momento em que ficamos já calejados, nas primeiras linhas do e-mail do sujeito já percebemos o que é conversa fiada.

  20. Excelente, as always.

    Mas infelizmente aquele que trabalha em um nível mais técnico é educado a entender somente o seu trabalho e não a arte da negociação, e principalmente em calcular o valor do próprio trabalho. É necessário ter jogo de cintura pra não espantar os empreendedores, pois eles também nos trazem oportunidade, mas o discurso precisa ser sempre uma mão lavando a outra com a mesma água – explico: se ele quer lucrar dinheiro, eu também lucro dinheiro. Se ele quer “lucrar” conhecimento, tudo bem, eu posso fazer por conhecimento. Quando isso fica claro, acredito que a negociação é justa.

    PS.: Isto me faz lembrar os judeus, que não aceitam você compre um produto pelo preço proposto sem que você negocie. Eles tem este conceito de “business justice” enraizado em sua cultura, pois não há um verdadeiro acordo se ambos não cooperam entre si. É algo que admiro muito.

    1. Opa, que bom que gostou Wanderson, valeu!

      Pois é: exatamente o que digo no post: nós não temos esta formação que, vendo hoje, deveria ser dada, nem que muito de leve nas faculdades.

  21. Parabéns pelo post! Como você começou fallando sobre portugueses e espanhois, foi impossível não lembrar de uma frase de origem portuguesa: o cliente sempre tem razão! E você ponderou muito bem a respeito desta razão. Ótimo post!

  22. Parabéns, Henrique.

    A exemplo de alguns colegas aí, me vi nesse artigo. :-(

    Gostei muito da comparação com nossos índios. Infelizmente é isso que vivemos mesmo. Queremos algumas coisinhas que dizem que vão brilhar em troca do que adquirimos a custo de noites sem dormir, ausência de família e vida social.

  23. Marcelo Mendonça

    Estou iniciando agora na áerea, finalizando curso de lógica de programação que tem como base o uso do groovy para os scripts.
    Confesso que boiei na maioria dos tópicos aqui do blog. Entretando passei 2 horas sem sair da frente do monitor devorando o conteúdo que, muito bem escrito e com toque de humor muito inteligente, faz a leitura ser facilmente absorvida.
    Parabens!
    Com certeza tirarei muito conhecimento daqui no futuro.
    Abraços,

  24. Claudio Agner

    Boa noite

    Estava lendo o artigo e nunca me enquandrei tanto no que leio, eu sou programador à 15 anos e ainda caio em situações como as descritas no artigos e nos comentários.
    Aí me pergunto sou eu quem deve mudar o pensamento de que todos são bons até que errem, ou que todos são errados até que acertem.
    Sempre fui voluntário para tantas causas e agora fico pensando se sou voluntário realmente ou o otário o idiota que se deixa explorar constantemente.
    Parabéns e tomara que mais pessoas que assim como eu ainda deixam a nossa profissão ser explorada constantemente.

  25. Boa noite Henrique!
    Geralmente acho os blogs e só leio de verdade duas semanas depois (preguiça, confesso)… engraçado que o seu foi diferente! Uma pessoa postou num grupo o texto sobre Cobal, deixei a aba aberta por 2 horas e qnd li, diria que foi fatal! Meu sono morreu por mais 3 horas! hahahaha, por isso você está de parabéns!
    Inclusive, já compartilhei um dos posts (sobre Abuso no Soft. Livre) no grupo da faculdade..

    Geralmente eu leio todos os comentários de um post antes de realmente comentar nele, assim evito vários comentários dizendo a mesma coisa (ou pelo menos tento evitar), mas acho difícil que tenha alguém na mesma situação que eu… por isso comentarei… rs

    Sou caçula, minha irmã aprendeu a programar com um namorado e eu com ela… resultado: numa família de dois filhos, os dois são programadores! rs, Meu sobrinho também já está querendo entrar nessa… e vou te dizer, não há nada tão bom quanto o orgulho no final do trabalho!
    Acabei indo pra uma escola técnica, entrei pra faculdade de CC semestre passado,
    Essa ladainha toda pra dizer que trabalho com isso já tem dois anos! Ou melhor, apenas dois anos! Refazendo as contas, menos de dois anos, pois entrei no primeiro estágio em jan/2011… mas fiz alguns trabalhinhos antes sem uma empresa de fato.
    Fiquei preso a esse texto ao perceber que em menos de dois anos eu já cai em 70% dessas negociações! Desde agosto/2011 que eu tive que sair da empresa onde trabalhava para cursar a faculdade em tempo integral, mas ainda tenho
    que pagar as coisas (passagem, comida, lazer, etc) e por isso continuei trabalhando mesmo de casa e isso me tornou vulnerável a esses urubus!

    1º) Home Office – Arranjei uma empresa onde faço freelance fixo, home office. Não paga bem como deveria (com a comissão chega lá, pena não ser algo fixo), porém dá pra me manter se eu não abusar. O problema dessa armadilha é que home office significa que o contratante lhe procurará a todo momento, exigirá vc online até que as tarefas do dia sejam alcançadas. Não importa hora, dia, temporada. E vc não reclamará, afinal está precisando… mas apesar disso estou feliz com esse que arranjei pois ele é justo. Se o trabalho do mês for bom, a comissão aumenta. Duvido que com outros seja assim (já passei pela mão de outros)

    2º) Parceria/Contratado – numa empresa novata (2 meses) me chamaram (indicado) para iniciarem os projetos. “Vamos te contratar e em outros projetos vc será parceiro.” Resultado: empresa novata não paga bem, quer fazer muito, te enche de trabalho. Durante o expediente você trabalha nos projetos para os quais foi contratado (entrega rápida), e mesmo assim te cobram pelos projetos que vc é parceiro, ou seja, “trabalhe para mim mesmo depois das 6h diárias!”. Nem na parceria e nem no contrato pagavam bem ou eram justos com a carga de trabalho, rapei fora!

    3º) Amigo – “faça esse sistema para mim, eu poderei divulgar para os meus colegas de profissão e te indicar”. Nunca indicam e por ser amigo vc cobra pouco.

    4º) Parceria – foi a última que entrei e ainda estou “enfiado até o c´ ” (Bernard Cornwell – Crônicas Saxônicas). Vai pagar mal, projetos grandes, prazos apertados. E provavelmente não poderei me dar ao luxo de recusar pois preciso cuidar da minha saúde físicao-mental (não posso ficar o dia inteiro no computador, lendo livros e estudando… devo ter algo para esvair e por isso quero praticar algum esporte mesmo que poucas vezes na semana) e também quero fazer um curso relacionado à minha profissão pois ainda acho meus códigos muito imaturos.. e aí? rs Investimentos só podem ser feitos quando temos para investir.

    Impressionante como em pouco tempo os predadores caem em cima da carne fresca, fico até triste. rs
    ps: acho que extrapolei no tamanho do comentários : |
    Att,
    Thiago

    1. Kico (Henrique Lobo Weissmann)

      Oi Thiago, que legal que tenha gostado, valeu!

      E extrapolou nada, acabou complementando muito bem o post, valeu demais!

      1. Que bom! =D

        Parece que o assunto anda me perseguindo, mas achei que talvez vc gostasse do vídeo… este achei por intermédio de uma professora de administração.. e é impressionante como o que vc escreveu no post, o que eu escrevi no comentário e o que ele fala no vídeo é a mesma coisa! O interessante é que ele ainda completa com o perfil do funcionário que essas empresas procuram… o vídeo é esse abaixo:

        http://www.youtube.com/watch?v=xoyfo-T01_E&feature=share

  26. Vitor Mussatto

    hahhahahaha

    identifiquei varios pontos da minha vida nesse post XD

    principalmente nas parcerias

  27. Só tem um grande problema na analise.
    Ainda é muito qualitativo e muito pouco quantitativo como quase todos que vejo por aí.

    A grande solução que achei e é grande pra mim e por isso chamo assim, hahaha. Foi estabelecer custos necessários, como por exemplo, o custo do almoço na região se não for remoto, tipo de tecnologia empregada… etc. isso tudo adicionando da minha hora padrão.

  28. Isso mesmo.. obrigado pela ajuda que voces (http://www.itexto.net) !!!
    muito obrigado acredito que voces nao so visao lucros como valores humanos.. coisa que na area de TI e muito dificil encontrar !!
    obrigado mesmo pelas dicas, precisamos disso…
    pois todos pensao que nao somos analistas e sim magicos que con click no muose solucionamos tudo!!! e o melhor de graca!!! como se malabaristas de semaforos!!!

  29. Álex Junio

    Muito bom Henrique só li este artigo 2 anos depois alias quase , mesmo assim vejo que ele ainda reflete bem o cenário da tecnologia embora podemos adicionar mais um contexto a ele ” Oi nativo que tal se você trabalhar com mais e cobrar menos , e você recebera seu lucro de acordo com grandes demandas” realmente me deixa frustado isto pois existem alguns que prostituem a profissão cobrão preços muito baixos e usam matérias de péssima procedência acabando por denegri a T.I. e a deixando em segundo plano.

    Abraços. Continue assim.

    1. Kico (Henrique Lobo Weissmann)

      Oi Àlex, obrigado.
      Este é uma variação interessante também: soa como “vou te pagar com ações no futuro”>
      É. Ações vazias. :)

  30. A culpa é 80% nossa. Muitas vezes, gostamos TANTO do que fazemos que acabamos ficando muito bons na coisa e começamos a achar fácil o negócio. E então surge o seguinte pensamento: “ah, isto é fácil! Não vou cobrar muito”, ou então o pior deles “não acredito que estão me pagando pra fazer isto!”(!!!).

    Fatídico !

  31. Vanderlei Lux

    Artigo de 2011… mas ainda absurdamente válido para 2020!

    Óbvio que vim parar aqui porquê fui uma das inúmeras vítimas desses “desbravadores”. O boneco, mais “liso” que “bagre ensaboado”, chegou oferecendo-me “parceria” em um projeto grande. Eu, na época, adolescente bobão e ingênuo, aceitei.

    Foram 10 anos desenvolvendo um sistema que nunca acabava. Nesse tempo, óbvio, NUNCA recebi NADA pelo trabalho, exceto as inúmeras promessas de que “vai dar certo!”. Na minha ingenuidade, deixei a emoção correr solta e nunca fechei um contrato formal.

    Enfim, por incrível que pareca a coisa “deu certo” um dia. Não deu uma semana o “parceiro” imediatamente monopolizou a “parceria”, começou a me escantear no negócio e quando vi, o meliante já tinha montado uma empresa, com uma sede bacana na cidade, 12 funcionários, 2 carros, os 2 filhos e a mulher trabalhando juntos. E eu? Eu estava “lá fora”, chupando o dedo, sem sequer ter recebido 1 centavo pelo trabalho de 10 anos!

    Minha sorte foi ter mantido os fontes do programa comigo. Nunca repassei pra ele, apesar de ele ter insistido muito nisso. “Backup” era o que ele sempre dizia. Depois de um tempo, por não ter os fontes, veio tentar “negociar” comigo. Aí “meti a faca”. Atolei com tudo! Óbvio que o boneco estrebuchou, gritou, gemeu, urrou, chorou e tudo o mi-mi-mi que picaretas tem em seus arsenais. Não adiantou! Enfim, o predador me pagou 1/30 do que valeu todo o meu trabalho em troca de “pequenas manutenções” no sistema. Aceitei, pois já sabia que não ia receber mais do que isso mesmo! Mas ainda assim mantive os fontes!

    Agora o sujeito quebrou as pernas. A pandemia de 2020 “matou” ele. Fechou a picaretagem disfarçada de negócio e tá atendendo o que restou dos clientes da sua própria casa.

    Meu conselho a quem acredita em “parcerias” baseadas em ganhos futuros: fuja! Fuja como o diabo foge da cruz! Ainda mais no Brasil onde até mesmo com contrato em cartório os predadores te puxam o tapete!

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